My Golden Dress | Being a Mom #8 - Quase dois anos de maminha
Como sei que a amamentação em Portugal vai sendo ainda um assunto polémico e que divide muitas opiniões, sendo eu alvo de tantas questões por parte de familiares, amigos e não só, decidi partilhar convosco o meu testemunho, a minha experiência com a amamentação ao longo destes 22 meses.
amamentação, Sara, 22 meses, leite materno, Being a mom #8, dar mama, solange hilário
972
post-template-default,single,single-post,postid-972,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,select-theme-ver-3.4,menu-animation-underline,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0,vc_responsive

Being a Mom #8 – Quase dois anos de maminha

Há quase dois anos que dou maminha à Sara e a pergunta que me fazem mais vezes é ‘Porquê?’, entre outras coisas que vou ouvindo:

“Mas ainda tens leite?”

“Isso já é só um vício!”

“Mas ela já come de tudo, não precisa!”

“Ai que gulosa! Deixa lá a maminha da mamã sossegada.”

“Não tens medo que te estrague o peito?”

Como sei que a amamentação em Portugal vai sendo ainda um assunto polémico e que divide muitas opiniões, sendo eu alvo de tantas questões por parte de familiares, amigos e não só, decidi partilhar convosco o meu testemunho, a minha experiência com a amamentação ao longo destes 22 meses.

A Sara foi amamentada em exclusivo durante os seus primeiros 6 meses de vida depois de alguma insistência minha nos primeiros dias.

 

Quando nasceu, hipoglicémica, a primeira refeição que fez foi a sonda na neonatologia por não ter força para mamar sequer. Quando voltou para ao pé de mim, veio acompanhada de um biberão de leite que eu não pedi. Eu queria amamentar a minha filha e gostava que me tivessem dado essa oportunidade em vez de descredibilizarem a minha primeira tentativa. Para minha felicidade (e da minha filha também) a Sara, ainda hoje, detesta tetinas – de borracha, de silicone, o que for. Sempre se mostrou desagradada quando o biberão se aproximava e muito mais interessada na mama mesmo que muito trapalhona na pega.

Como não fiz qualquer tipo de preparação para o parto ou pós-parto pela minha condição durante a gravidez, não fazia a mínima ideia do que deveria fazer para ajudar a pequena.

 

Ela chorava de frustração, ela e eu, até que um anjo chamado Vera entrou no nosso quarto para nos visitar (e ajudar, muito).

 

Depois de uma meia hora ao meu lado, a Vera conseguiu que Sara fizesse a pega perfeita… Até hoje!

Fui elogiada pela perseverança por parte da pediatra que deu alta à Sara e senti-me muito feliz por não ter desistido de mim nem da minha filha.

Mas desengane-se quem acha que a intervenção da Vera nesta aventura da amamentação termina aqui. Houve outra ocasião.

15 dias depois da bebé nascer, eu estava um caco: Perdia imenso sangue, estava super cansada, e sem saber o que fazer para melhorar. A Sara mamava de hora em hora (indicações da pediatra, por ter nascido com baixa de peso) e era tudo tão avassalador que me esqueci de comer, de beber… Resultado? Desmaiava vezes sem conta. Assustadíssimo, o Sérgio queria levar-me para o hospital mas tínhamos uma recém-nascida de 15 dias em casa e ninguém por perto para ajudar.

 

WHO YOU GONNA CALL? VE-RA!” – Lá estava ela, em tempo record com o seu menino Xavier, que na altura tinha um aninho e meio, mais ou menos.

 

Quando a Vera entrou em casa eu estava em modo Zombie a tentar tirar leite com a bomba para lhe deixar e a Sara ter o leite que precisava enquanto eu estivesse no hospital. ASNEIRA, claro. Eu estava fraquíssima e todo o processo de tirar leite só estava a piorar a situação. Foi aí que ouvi a pergunta para a qual eu nunca pensei ter resposta até aquele momento: “Importas-te se for eu a dar mama à Sara?”

Ainda hoje, sempre que me lembro desse momento penso que foi tão corajoso da minha parte permitir que outra mulher, minha amiga é certo, mas outra mulher amamentasse a minha filha e ao mesmo tempo ainda mais corajoso da parte da Vera assumir esse papel perante mim, amiga dela, que precisava de ajuda, tal como a minha filha precisava de leite materno.

Tudo o que eu queria era que a Sara ficasse bem e eu sabia que com a Vera ela estaria em excelentes mãos. Fui para o hospital lavada em lágrimas e a desmaiar pelo caminho, mas (um bocadinho) mais tranquila por saber que a Sara iria ter leitinho bom e muitos miminhos da tia Vera. Note-se que, coitada, a Vera teve que dar mama à Sara e ao Xavier AO MESMO TEMPO 😉 – Super Moms suport Super Moms, always!

Depois deste episódio, atinei e percebi que para dar o melhor a minha filha tinha também que cuidar melhor de mim e assim fizemos o nosso percurso nesta aventura da maminha.

Sempre dei mama em qualquer lugar, sem problema. Experimentei o avental de amamentação, as fraldas de pano para tapar mas a Sara transpirava imenso e eu não achava piada nenhuma por isso, estivéssemos nós no comboio, no metro, no shopping quando não havia cantinhos de amamentação nos fraldeiros, eu sempre dei mama à vontade.

 

Porquê? Porque é natural! As mamas existem com esse propósito: A-MA-MEN-TAR. Nunca me incomodaram os olhares indiscretos ou ‘incomodados’. Sempre pus a minha filha, o seu conforto e o meu em primeiro lugar e é exatamente por isso que ainda hoje, aos 22 meses da Sara continuo a dar mama.

 

Ela mama 2 a 3 vezes por dia – de manhã antes de ir para creche, à tarde quando chega a casa ( pega na minha mão, senta-me no sofá e salta logo para o meu colo, já é regra.) e à noite antes de adormecer. Ao fim de semana, como estamos juntas todo o dia, de vez em quando lá vem ela pedir leitinho como quem não quer a coisa 😉

Para mim, se ela ainda procura o peito é porque por algum motivo, seja ele emocional, afectivo ou ‘vício’, ela ainda precisa dele e  o meu papel enquanto mãe é dar-lhe tempo até que se sinta confiante o suficiente para deixar de mamar. Não me passa pela cabeça forçar este processo.

Por isso tenha eu mais ou menos leite, que ainda tenho que baste, a Sara vai continuar a mamar, onde e quando quiser até que me dê sinais de que já não precisa.

Se “estraga o peito”, aquece (muito) o nosso coração e assim será enquanto ambas quisermos.

Um beijinho,

S

 

1 Comment
  • Evódia Graça

    15 Maio, 2018 at 8:29 Responder

    Minha querida! Não sabes a satisfação que é poder ler esta tua partilha tão genuína! Muitos parabéns! Sou mãe de primeira viagem e poder ler o teu relato deixou-me radiante. O meu pequenino tem agora 4 meses e meio e as pessoas já começam a pressionar para eu introduzir a comida, mas a verdade é que, também eu só o quero fazer após os 6 meses. Foi muito bom e econrajador, sendo que gostei particularmente do pormenor da tua amiga Vera ter dado de mamar à tua filha, num momento de tanta fragilidade! Isso sim é #WomenPower! Beijinho no coração!

Post a Comment