My Golden Dress | Being a Mom #5 - Planeamento Familiar? Contracepção? É mesmo importante?
Sou 100% a favor do planeamento familiar, dos cuidados ginecológicos periódicos e de uma vida sexual segura e consciente, por isso decidi escrever este post e partilhar convosco um pouco da minha experiência enquanto mulher  - Não sou médica nem nada que se pareça, apenas partilho alguma informação que talvez possa ajudar outras mulheres e esse é o único objectivo desta publicação.
Planeamento familiar , SNS Portugal, contracepção, ginecologia, acompanhamento
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Being a Mom #5 – Planeamento Familiar? Contracepção? É mesmo importante?

Este é o assunto que nos é posto logo assim em cima da mesa pouco tempo depois de o nosso bebé nascer. “Tem aqui esta pílula …” , “Marque a sua consulta com o médico assistente” são algumas das frases mais ouvidas aquando da alta após o parto, mas afinal é assim tão importante o planeamento familiar, a contracepção e o acompanhamento especializado?

Sou 100% a favor do planeamento familiar, dos cuidados ginecológicos periódicos e de uma vida sexual segura e consciente, por isso decidi escrever este post e partilhar convosco um pouco da minha experiência enquanto mulher  – Não sou médica nem nada que se pareça, apenas partilho alguma informação que talvez possa ajudar outras mulheres e esse é o único objectivo desta publicação.

Como algumas de vocês devem saber, tenho 24 anos: Sou menstruada desde os 9 anos de idade. Naturalmente, tendo a minha mãe sido mãe muito jovem (com 19 anos, mais precisamente) , este “pormenor” tirava-lhe o sono pelo que , aos 13 anos, após a minha primeira consulta de planeamento familiar com a minha médica de família, inicie a toma da pílula – Uma pílula combinada (progesterona e estrogénio) , fraquinha com o simples objectivo de regular o ciclo menstrual, ajudar com as dores menstruais que sempre foram horríveis e claro, prevenir uma gravidez – claro que a minha mãe não me disse que a pílula era para esse efeito. Acho que ela sempre achou que se mo dissesse era quase o mesmo que dizer “estás à vontade que não engravidas a tomar isto!”. De qualquer forma acho importante que desde cedo se alerte as(os) jovens e os seus pais para a importância do planeamento familiar e dos cuidados a ter com o seu próprio corpo.

Ora essa mesma pílula acompanhou-me durante imenso tempo, vários anos. Até ao momento em que comecei, sem explicação, a ter perdas de sangue durante o ciclo menstrual. A minha tia enfermeira levou-me a uma médica amiga na Maternidade Júlio Dinis no Porto que após uma citologia (o famoso Papa Nicolau) e uma biópsia descobriu um “probleminha”.

Mesmo tendo sido vacinada aos 13 anos, aos 18 apareceu-me uma ferida no colo do útero provocada pelo vírus do HPV – Uma CIN 1 (lesão de primeiro grau).

Fiquei assustadíssima, claro! Tinha um namorado há já algum tempo e a doutora explicou-me que muito provavelmente teria sido ele (o HPV é um vírus transmissível sexualmente e muitas vezes os homens são portadores do vírus sem saberem e sem qualquer sintoma) a passar-me o vírus e o meu corpo não tinha ainda conseguido combate-lo, daí o aparecimento da ferida e as perdas de sangue… A solução na altura passou por mudar de pílula para controlar essas perdas e vigiar a lesão na esperança que o meu organismo por si só conseguisse eliminar o vírus.

Esta foi a minha primeira mudança de contraceptivo – De uma pílula fraquinha (a Minigest) para uma mais forte (a Gynera). Até aqui tudo ok; Nada de efeitos secundários indesejados, tudo tranquilo.

Entretanto, mudei-me para Lisboa depois de gravar a Windeck e continuei a ser seguida, claro, mas agora na Maternidade Alfredo da Costa – Tive alta ao fim de duas consultas dizendo que a feridaestava sarada, que estava tudo bem. Não satisfeita, pedi uma segunda opinião a um Dr. que me foi referenciado no Instituto Champalimaud que me disse o mesmo: “Não se preocupe com isso! Está tudo controlado!”…

Qual não é o meu espanto quando, ao fim de dois anos, tive que recorrer às urgências de Ginecologia do Hospital de Cascais com dores horríveis que nada tinham a ver com a menstruação e outros sintomas estranhos e lá estava ela:

A FERIDA que todos diziam que não tinha que me preocupar porque estava SARADA, estava tudo CONTROLADO… Agora era ENORME, tinha um aspecto horrível e não havia outra hipótese de tratamento, só uma intervenção cirúrgica.

 

Senti-me enganada, frustrada porque mesmo com todos os cuidados, que sempre tive desde cedo, não consegui evitar uma cirurgia.

Em Março de 2015, depois de ter pedido uma outra opinião, desta vez fidedigna, ao Dr. França (médico de uma grande amiga que mo recomendou), fiz a intervenção ao colo do útero a laser no Hospital de Cascais.

Basicamente queimaram a ferida e o tecido regenerando, deixaria o colo do útero como novo!

Correu tudo tão bem que tive luz verde para engravidar nesse mesmo ano: Então deixei de tomar a Gynera, e após 3 ciclos de espera (3 meses) tivemos o nosso teste positivo.

Quando voltei a querer ouvir falar de contraceptivos? Quando a Sara nasceu.

Como amamentei sempre em exclusivo até ao 6 meses (até hoje na verdade!) e pretendia dar de mamar enquanto a minha filha e eu assim quiséssemos, iniciei a toma de uma pílula de amamentação, inicialmente a Cerazette e depois a Azalia (são exatamente iguais).

Como funciona esta pílula? Ao contrário da pílula combinada, esta é de toma contínua, sem interrupções e não tem estrogénio na sua composição, apenas progesterona, uma vez que o estrogénio passa para o leite e é prejudicial para o bebé. Esta pílula tem alguns efeitos secundários em algumas mulheres e um dos mais evidentes é a ausência de menstruação. E não é que o meu corpo se habituou a esta vidinha sem período e não quer outra coisa? Já não me lembro do que é isso sequer porque nunca mais tive…

Tomei esta pílula durante 1 ano e 3 meses, até ao momento em que o meu cérebro me começou a atraiçoar e me esquecia da pílula imensas vezes.

Como não tencionava ter uma Sara 2 tão cedo, decidi marcar uma nova consulta de planeamento familiar no meu Centro de Saúde e ver que outro método se adequava a mim e à amamentação, claro.

Entre muitos outros métodos, decidi optar pela colocação do implante cutâneo, o Implanon – Com a duração de 3 anos, é um “tubinho” que é colocado debaixo da pele, só se sente ao toque e assim não teria que me preocupar se me esquecia de tomar a pílula.

Já o tenho há 6 meses e quase me esqueço que ele existe. Lembro-me quando sofro com alguns dos efeitos secundários: enxaquecas, fome fora de horas, enjoos, azia… São sintomas de TPM, sem menstruação. Mas no geral acho que fiz uma boa escolha.

 

 

Resumindo esta conversa toda, tudo isto serve para vos aconselhar a não deixarem de cuidar do vosso corpo e da vossa saúde.

Visitem o vosso ginecologista periodicamente, de 6 em 6 meses preferencialmente, façam as citologias anuais e todos os exames necessários para não terem surpresas, como eu tive e puderem atempadamente detetar e resolver algumas questões que possam surgir.

Aqui em Portugal o Planeamento Familiar é GRATUITO bem como os métodos contraceptivos (preservativos, pílulas, DIU, implantes, etc), basta informarem-se e marcarem uma consulta no vosso Centro de Saúde. Não há desculpas!

O Planeamento Familiar, a contracepção e o acompanhado especializado são importantes SIM, a partir do momento em que se inicia a vida sexual ou no início da puberdade.

Visitem o site do SNS (Serviço Nacional de Saúde), informem-se e aconselhem as(os) vossas(os) amigas(os), vizinhas(os) e o vosso namorado ( sim, porque isto não é só para mulheres).

Um beijinho,

S

NOTA: Todos os medicamento mencionados neste post foram prescritos após avaliação médica; NÃO TOME nenhum destes (ou outros) medicamentos sem aconselhamento e prescrição médica.

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