My Golden Dress | Being a Mom #3 - E o segundo? É para quando?
Fazem-me tantas vezes esta pergunta e eu nunca sei bem o que responder... Quem me conhece sabe como adoro bebés e crianças e a vontade que tenho de ter uma casa cheia de filhos mas, claro, há tanta coisa a ter em conta antes de tomar uma decisão tão importante e a verdade é que, lá no fundo tenho medo...
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Being a Mom #3 – E o segundo? É para quando?

Fazem-me tantas vezes esta pergunta e eu nunca sei bem o que responder… Quem me conhece sabe como adoro bebés e crianças e a vontade que tenho de ter uma casa cheia de filhos mas, claro, há tanta coisa a ter em conta antes de tomar uma decisão tão importante e a verdade é que, lá no fundo tenho medo…

A gravidez da Sara foi planeadíssima e muito desejada, no entanto nem tudo correu como eu imaginei…

 

As bioquímicas (primeiras análises da gravidez) eram claras: Elevado RCIU (restrição de crescimento intra uterino), elevado risco de desenvolvimento de pré-eclampsia precoce e elevado RPPT (risco de parto pré termo). Todos estes factores conjugados fizeram da minha gravidez uma gravidez de risco e ás 20 semanas começaram as primeiras complicações: Muitas dores, que após algum tempo conseguimos perceber que eram mesmo contracções…

Solange Hilario grávida

O medo de perder a Sara era muito. Nenhum bebé sobreviveria a um nascimento tão precoce. Foram as 1o semanas mais longas da minha vida, muito repouso e todos os cuidados para tentar controlar estas contracções que insistiam em aparecer tão cedo, até que às 30 semanas aconteceu: Estava a entrar em trabalho de parto.

As contrações ritmadas, dolorosas e encurtamento do colo do útero. Não havia outra hipótese senão prepara-me para o nascimento prematuro da Sara. Como a maturação pulmonar só está concluída às 36 semanas, tive que tomar medicação para acelerar esse processo e ajudar a minha filha caso ela nascesse… Graças à equipa de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Cascais que foi incansável, conseguimos controlar a situação e a Sara não nasceu. Voltei para casa, ao fim de 5 dias de internamento, com ordem para repouso absoluto – só podia levantar-me para ir à casa de banho. Foi horrível sentir que não tinha autonomia, não podia gozar a minha gravidez com a tranquilidade que deveria porque na verdade eu não tinha que cuidar apenas da minha filha mas de mim também. A minha tensão arterial começou a ficar descontrolada e os desmaios eram frequentes – A maldita pré-eclampsia decidiu aparecer para piorar o cenário (mesmo estando a tomar magnésio e acido acetilsalicílico desde as primeiras semanas) e ás 33 semanas a Sara estava determinada em terminar com o nosso sofrimento.

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Eu não me sentia bem, como muitas contracções mas não sabia se devia valorizar ou não uma vez que já era o meu estado normal mas a minha mãe, que tinha acabado de chegar a Lisboa para me ajudar nas duas semanas seguintes, assim que lhe descrevi o que sentia não descansou enquanto não fomos para o hospital – E tinha razão. Eu estava novamente a entrar em trabalho de parto mas desta vez nem a medicação para o parar sortia qualquer efeito. Ao fim de 8h a tomar medicação inutilmente e começar a dilatar, a doutora entrou no bloco de partos e perguntou-me:

“O que queres fazer? Este é o cenário, as contracções não desaparecem, o colo está a dilatar e tu estás exausta. Estamos nisto há 8 horas e o trabalho de parto continua a evoluir. O que achas que fazemos?”

Eu desisti. Fui vencida pelo cansaço, pelas dores e desisti.

A chorar disse à doutora que não queria tomar mais medicação e que se a Sara queria nascer eu não ia fazer mais nada para impedir. O Sérgio ficou assustadíssimo, afinal a nossa filha ia nascer 7 semanas mais cedo do que previsto, com pouco mais de um quilo e meio e não havia mais nada que pudéssemos fazer. A equipa médica concordou que devíamos parar a medicação e esperar para ver o que acontecia.

Para espanto de todos, já preparados para ver a Sara nascer, aos 2 cm de dilatação as contracções desapareceram, como por magia. – Ainda não era desta, para alívio de todos.

Mas… Não pude ir para casa.

Com o colo do útero dilatado e uma bebé cheia de vontade de nascer a qualquer momento corria o risco de, numa próxima vez, não conseguir sequer chegar ao hospital e a bebé nascer em casa. Fiquei internada até às 35 semanas e 3 dias e tive alta apenas porque conseguimos reverter a dilatação e o quadro das contracções, a Sara já tinha 2 quilos e podia nascer mais tranquilamente a partir dessa altura.

Ás 36 semanas e 3 dias, fiz a minha última consulta e ecografia no hospital – a Sara ja tinha 2,400kg e continuava cheia de vontade de conhecer o mundo. As contracções continuavam lá, irregulares mas dolorosas até que 4 dias depois, ás 37 semanas chegou finalmente o momento em que ia conhecer a apressada da minha filha.

Ao contrário do que todos esperávamos o parto foi divino: 6 horas de trabalho de parto activo, rápido e tranquilo.

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A Sara nasceu ás 37 semanas e 2 dias, com 2,420kg e 44 cm, ás 13h10.

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“ai que canseira… Isto de nascer dá trabalho!” – Mal sabe ela quem deu trabalho a quem 😉

O puerpério? Foi muito tranquilo também, a recuperação do parto (com episiotomia e laceração do períneo) foi rápida e sem complicações, o que levou mais tempo a controlar foi a tensão arterial que continuava muito alta.

Captura de ecrã 2018-03-01, às 11.02.18

E, resumidamente, foi assim a minha primeira gravidez.

Continua tudo tão fresco na minha memória que secalhar o medo de voltar a engravidar devia sobrepor o desejo de dar um(a) mano(a) à Sara… Mas não.

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A Sarita, às 28 semanas, na Eco 4D

A minha sogra dizia-me imensas vezes que esquecemos rápido, esquecemos a dor, as complicações e dificuldade e não é que é verdade?

Quem sabe não virá mais um bebé Dinis em breve… Daqui a um ou dois aninhos… Ou mais cedo 😉

O tempo dirá!

Um beijinho,

S

 

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