My Golden Dress | Being a Mom #1 – A minha gravidez e parto
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Being a Mom #1 – A minha gravidez e parto

Hoje venho partilhar convosco um dos momentos mais especiais da minha vida: O nascimento da minha primeira filha, a Sara.

Estão preparados para o testamento?
A Sara é uma bebé muito desejada e tendo sido a gravidez planeada, o nascimento dela foi um momento vivido ao máximo ainda para mais depois de tantas aventuras durante os 8 meses e 1 semana de barriguinha.
Sim, a Sara deu-nos algum trabalho, a mim, ao pai, aos avós… Toda a família viveu de perto esta gravidez: Ás 17 semanas começaram as primeiras contrações o que levou, mais tarde, a dois internamentos ás 30 e ás 33 semanas por ameaça de parto precoce.

Era muita a pressa para nascer, até porque era altura de romarias e santos populares um pouco por todo o país e a Sara, definitivamente, queria festa.
Conseguimos aguentar a rapariga cá dentro com muito repouso e excelente ajuda médica prestada pela equipa de ginecologia/obstétricia do Hospital de Cascais que, com tanta ida à urgência, conheço de uma ponta à outra (e estou-lhes muito grata pelo cuidado e paciência que tiveram comigo).

Tive alta do último internamento ás 34 semanas e 2 dias. Despedi-me da enfermaria dizendo “Agora só cá volto quando for para a minha filha nascer”. Era esse o desejo de todos incluindo da minha obstetra que já não sabia mais o que me fazer. Marcou-me uma última ecografia e consulta para as 36 semanas e 2 dias, onde vimos a Sara cheia de força e muita vontade de conhecer o mundo.

No controlo por CTG que se faz na enfermaria antes da consulta, a enfermeira disse logo “ Vamos lá ver como anda a Sara, que está sempre muito apressada” e para não variar, as contrações eram muitas, um pouco irregulares mas com dor. “Bem, vamos lá ver se ela se porta bem ás 37 semanas porque há muitos bebés que decidem nascer nessa altura” disse a enfermeira Catarina.

A Sara ouviu a sugestão e pareceu-lhe uma excelente ideia. Ás 37 semanas em ponto começou a fazer as malas para sair do hotel e vir para casa.
Era domingo e eu ia ficar sozinha em casa porque o Sérgio ia para casa de um casal amigo concluir um trabalho tinha começado quando acordei com dores. Comecei a contar as contrações que eram ainda irregulares mas diferentes, algo me dizia que estava para muito breve.

Naturalmente, já escaldado, o Sérgio não me deixou ficar sozinha e levou-me com ele: “Qualquer coisa, as malas já estão no carro, tu já estás comigo e estamos a 2 minutos do Santa Maria” disse ele. Concordei, vesti-me e lá fui eu, devagarinho, a contar cada contração e a desejar, a cada hora que passava, que o trabalho terminasse rápido para poder ir ao hospital, ao MEU hospital (sim, já era a minha casa por isso a ideia de ir a qualquer outro assustava-me muito).

Eram 18h horas quando saímos de casa deles e ainda passamos em casa por umas boas horas antes de ir para à urgência. Quando lá cheguei, as dores já eram bastantes e sentia imensa pressão no fundo da barriga. Na triagem deram-me a pulseira laranja e a doutora, depois de fazer o toque mais doloroso de todos, confirmou: “Esta criança está mesmo aqui à porta. Se não for nesta madrugada, é na próxima.”

Foi aí que caí na realidade:

O trabalho de parto estava prestes a começar e a minha filha ia nascer.

Um misto de emoções tomou conta de mim. Senti-me entusiasmada embora as dores em crescendo fossem cada vez mais desconfortáveis. Pouco dormimos nessa noite, eu super desconfortável e o Sérgio preocupado comigo. Ele já não foi trabalhar na 2a feira para me dar assistência e estar presente caso a menina nascesse. Nessa tarde, comecei a perder sangue, algo normal, segundo a doutora que me tinha visto na noite anterior, por isso não valorizei muito e pedi ao Sérgio para que no final do dia me levarsse a caminhar na praia. Ele não estava com muita vontade de o fazer porque eu já não dava 10 passos sem parar pelo menos 2 vezes com dores… Ainda assim insisti e lá fomos.

Fomos para Carcavelos e de mãos dadas com o Sérgio, caminhei de pés na água e quando vinha uma contração parava, fechava os olhos e tentava concentrar-me na respiração.

Eram 20h de 2a feira e eu não consegui fazer mais do que meia praia. Pedi para voltarmos para o casa porque as dores eram cada vez mais fortes, estava cansada e preocupada com o avanço do trabalho de parto: Não queria nada ter que baptizar a minha filha de Maria do Mar.

Assim que cheguei ao carro ainda tentei satisfazer o meu último desejo de grávida: “ Amor, achas que podemos ir comer um arroz de marisco?”. O Sérgio não conseguiu rir-se de tão nervoso que estava mas ainda hoje fala desse episódio com um sorriso nos lábios. Claro que o arroz de marisco ficou para outra altura porque dali ele só me levou para o hospital e lá não há dessas coisas.

A dilatação ainda era pouca segundo a doutora, mas a pressão que a Sara fazia era cada vez maior. Ainda não era desta que ficavamos no hospital por isso tentamos ir comer qualquer coisa ao McDonalds (belo arroz de marisco…).

Eu já não conseguia pensar em mais nada: Mal conseguia andar, muito menos comer. Só queria que a dilatação aparecesse. Voltamos para casa e decidi recorrer à ajuda de uma amiga que tinha tido bebé há um ano e era, sem dúvida, a pessoa perfeita para me ajudar naquele momento. Aliás, o Sérgio foi falando com ela durante o dia e assim se foi mantendo mais calmo.

A Vera propôs que tomasse um banho quente para relaxar os músculos e acalmar a dor, mas tendo atenção pois poderia acelerar o trabalho de parto mesmo sendo essa a intenção, dilatar mais o colo do útero. Assim fiz, já era quase 1h da manhã e aqueles 10 minutos de banho de imersão souberam pela vida. Julguei que era capaz de adormecer na banheira de tão relaxada que estava mas assim que saí do banho as dores voltaram, mais fortes do que nunca:

Começavam nas costas e irradiavam para o fundo da barriga, fazendo correr umas lágrimas.

Ás 3h da manhã, cansada de andar para a frente e para trás no corredor enquanto o Sérgio dormia, vesti-me e acordei-o: Estava na hora de ir para o hospital, mais uma vez, mas desta vez de vez.

Já estava com 4 cm de dilatação e contrações fortíssimas regulares, de 5 em 5 minutos. Estava, finalmente,  em trabalho de parto de activo e fiquei logo internada no bloco de partos, na mesma sala pela 3a e última vez nessa gravidez.

Tomei mais um duche, vesti a camisa do hospital e preparei-me para trazer a minha filha ao mundo. Rezei, pedi força e protecção nesta hora tão importante da minha vida e depositei toda a minha confiança na equipa que me acompanhava. Deixaram o Sérgio vir para ao pé de mim, uma vez que queria assistir ao parto, e deram-me uns comprimidos vermelhos MARAVILHOSOS que me deixaram descansar até mais ou menos ás 10h da manhã.

Era terça-feira, dia 5 de Julho e a luz do sol entrava tímida por uma janela pequena.

O Sérgio estava cansado e ansioso mas ao mesmo tempo calmo. Foi muito importante tê-lo ali do meu lado naquele que era o momento mais importante das nossas vidas, que nos ia mudar para sempre.
Disse à enfermeira que queria a epidural e uma hora depois a anestesista, super simpática administrou a primeira dose da anestesia. Sim, a primeira dose que não pegou. Entretanto romperam-me as águas e pouco antes da Sara nascer (estava a dilatar muito rápido), recebi a 2a dose de epidural, mais forte e desta vez eficaz.

Passado pouco tempo a Sra. enfermeira diz-me “Já vejo a cabecinha da menina. Vou chamar a doutora!”, mas antes que a enfermeira saísse da sala, o Sérgio pergunta “Posso ver?” – Eu não sabia bem o que responder porque tinha medo que o impressionasse, mas confiei nele e aceitei, a enfermeira também aceitou mostrar.

“Tem cabelo?” perguntei-lhe (com tanta azia e enjoo tinha que ter) e ele disse que sim, todo contente.
Pouco depois entrou na sala a Drª Ana Patrícia, preparada para me ajudar e finalmente conhecer a minha filha. É uma sensação única: Depois de fazer força durante uns 5 minutos, senti o corpinho da Sara sair e pousar no meu peito. Ela estava, finalmente, comigo, no meu colo.

Nasceu às 13h10, com 44cm e 2,420kg. Pequenina, fofinha, PERFEITA.

O pai registou o momento tirando fotos que vou guardar para a vida e que um dia ela vai adorar ver.
Quando a vi no colo dele tudo fez ainda mais sentido. Ela é sem dúvida o nosso complemento e não posso pedir mais do que isso.

Desde esse dia, tenho tudo o que preciso na vida e por isso mesmo todo o pós-parto foi calmo e cheio de coisas boas.

Tenho uma filha maravilhosa, a família com que sonhei e apesar de todo o stress da gravidez, já tenho saudades da barriguinha 🙂

Quero muito dar manos à Sara daqui a uns tempos.
Ser mãe muda-nos e hoje sou uma mulher diferente graças á minha filha.

Bem-vinda Sara e obrigada por me fazeres tão feliz!

Beijinhos,

S

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